sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Vergonha de ser doente...

"Ao sair de casa, deparei-me com uma mulher de saco de viagem ao ombro. Entrou para o carro ao mesmo tempo que eu, puxou de um cigarro e arrancou. Seguiu-me a imagem dela no retrovisor. Continuei. O meu caminho foi o dela. Olhei-a várias vezes. Tinha uma expressão triste, desolada... O mundo parecia ter desabado nos seus ombros. O rosto apagado, os olhos molhados, o fumo do cigarro sem vida... Sempre que a olhava sentia-me triste. Aquele lenço a tapar a vergonha de ser doente, de já não ser uma mulher completa, não ser quem tinha sido, de a vida a ter traído, de Deus a ter esquecido... A tristeza... Aquela expressão de tristeza... Não somos realmente nada... Desolação... Só desolação... O rosto daquela mulher de lenço na cabeça. A imagem acompanhou-me todo o trajecto. Chegada ao destino reparei em algo: aquela mulher, triste, de lenço, de lágrimas... Um espelho. Era eu. Eras tu, Helena. AGORA SOMOS NÓS..."

By CAT

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